Extreme Private Eros: Love Song 1974

Filmado a preto e branco, maioritariamente à base de equipamento caseiro, com momentos em que voz e imagem estão completamente discincronizados e algunas cenas desfocadas, inclusive, e felizmente, uma cena frontal de parto, Extreme Private Eros: Love Song 1974 é tão interessante quanto perturbante .

O filme documenta a trajetória de Miyuki Takeda, uma feminista radical de 26 anos, com a qual o diretor Kazuo Hara viveu durante 3 e teve um filho. O período do filme vai desde 1972 a 1974, durante o qual Hara retrata a vida da ex-mulher após a separação.

A trajetória de Miyuki vai desde mudar-se para Okinawa para morar com uma mulher, namorar um soldado negro norte-americano do qual engravida e trabalhar numa comuna de mulheres grávidas em Tóquio. Na cena mais chocante, filmada numa sequência única, frontal e sem cortes, Miyuki dá a luz uma criança mestiça sem qualquer ajuda e sem a presença de ninguém, a não ser o diretor e sua esposa Sachiko, que se limita a segurar o microfone do lado dela.

Perante isto, não admira que o filme tenha sido considerado ofensivo para a sociedade japonesa e alvo de críticas. Mas a cena final, de uma banheira tipo ofuro cheia de bebés e recém-nascidos, que tomam banho com uma das mães da comuna de mulheres, abafa qualquer impulso preconceituoso que possa ter sido sentido ao longo do filme e remete-nos para um sentimento positivo e de aceitação, possibilitando novas visões e um significado mais profundo para a mensagem de Hara.

Cena em que Chichi, uma menina de 14 anos dançarina  num clube noturno de Okinawa que Miyuki frequenta, relata a sua desistência da escola.
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