Os painéis de Hiroshima

“Os Painéis de Hiroshima” foram pintados pelo falecido casal de artistas japoneses Iri e Toshi Maruki durante um período de 30 anos (1950 a 1982). Após de terem visitado a cidade de Hiroshima em 9 de Agosto de 1945, três dias depois do ataque bomba atômica, foram profundamente marcados pelo caos, violência e carnificina que imperavam no local.

Influenciados pelo realismo poético figurativo da estética japonesa, os “Painéis de Hiroshima” são frequentemente comparados a “Guernica” de Picasso.  Os 15 painéis, remetentes à arte tradicional japonesa pela sua forma de biombos e pela uso de tintas sumi, mostram imagens fortes das consequências do ataque. Pessoas feridas vagueando sem rumo pelo local onde antes foram suas casas, corpos carbonizados de casais e pais e filhos abraçados e cadáveres ainda sendo consumidos pelo fogo. Além das pinturas, a série de murais é também acompanhada de poemas em prosa escritos pelos artistas, explicando a temática que inspirou de cada desenho.

Os murais representam a desumanidade e brutalidade da guerra, especialmente a crueldade do bombardeio de civis. Por isso, foram usados como  propaganda do movimento pacifista mundial e anti-nuclear durante a Guerra Fria e, atualmente, estão em um museu privado dedicado ao casal de artistas, em Saitama. Os Maruki receberam o Prêmio Nobel da Paz em 1955.

Toshi Maruki lançou o livro infantil “Hiroshima no Pika” (editado em inglês em 1980 com o título de “Flash of Hiroshima”), que conta a história de uma garota japonesa que tinha 7 anos quando a bomba caiu em Hiroshima.

A inspiração para o livro surgiu em 1953, quando Toshi estava expondo suas pinturas da bomba atômica numa pequena vila de Hokkaido. Entre os visitantes estava uma mulher, que olhava as pinturas longamente com uma expressão brava e, depois de algum tempo, veio falar com Toshi, contando-lhe sua história.

August 6, 1945, 8:15 a.m. 
Hiroshima. Japan

A little girl and her parents
are eating breakfast,
and then it happened.
HIROSHIMA NO PIKA.

This book is dedicated to 
the fervent hope the Flash
will never happen again,
anywhere.

O livro foi premiado com o Ehon Nippon Prize como melhor livro japonês de ilustração, prêmio anual do Yomiuri Shinbun Press.

Em 1953, o compositor japonês Masao Ohki compôs sua 5ª Sinfonia, baseada nos seis primeiros “Painéis de Hiroshima” .

Em 1986, os “Painéis de Hiroshima” foram tema do filme “Hellfire: A Journey from Hiroshima” nomeado de melhor documentário para o Óscar de 1987.

Mais informações:

 
Site da Galeria Mukai, em Saitama, onde estão expostos os painéis
http://www.aya.or.jp/~marukimsn/english/indexE.htm
 
Blog com a transcrição completa da versão inglesa do livro de Toshi Maruki “Hiroshima no Pika”
http://kindergeschichten.wordpress.com/2011/05/27/hiroshima-no-pika-the-flash-of-hiroshima-toshi-maruki/
 
Blog com a tradução em português de “Hiroshima no Pika”
http://espaco-esperanca.blogspot.com/2007/05/hiroshima-no-pika-toshi-maruki.html
 
Site do Memorial da Paz de Hiroshima
http://www.pcf.city.hiroshima.jp/top_e.html
 
Site do Museu da Bomba Atômica
http://atomicbombmuseum.org/index.shtml
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Ainda sobre vestes

 

A trilogia retorno de Portugal / corrida laboral e estudantil / mudança de casa têm-me deixado com pouco tempo para o relato mais ou menos cotidiano das minhas experiências nipônicas neste blog.
E dado esse afastamento, faltam-me ainda relatar algumas situações luso-francesas relacionadas à temática aqui proposta.
Continuemos então em França e… sobre vestes. O último post tratava de uma artista norte-americana e suas esculturas de kimonos em cerâmica, que acabei conhecendo nas minhas andanças por Paris. Outra artista de que tomei conhecimento entre os meandros do Centre Georges Pompidou foi a francesa Marie-Ange Guilleminot. Dentre as coleções contemporâneas do Museu Nacional de Arte Moderna, a exposição elles@centrepompidou (27 de maio de 2009 a 21 de fevereiro de 2011) dedicada à mostra de obras de várias artistas (no feminino) do século XX, estava “Les Vêtements blancs de Hiroshima” (1998), a obra da artista acima referida. Baseando-se no livro de Hiromi Tsuchida, fotógrafo japonês que documentou, para além dos locais e pessoas atingidos pela bomba, os pertences pessoais das vítimas, Guilleminot recriou essas vestimentas em tecido branco. As fotos falam por si.

 

Fotos de Hiromi Tsuchida dos pertences das vítimas de Hiroshima

Marie-Ange Guillemont e vestimenta branca
Mais informações:
Sobre a exposição elles@centrepompidou
http://www.centrepompidou.fr/Pompidou/Manifs.nsf/0/44638F832F0AFABFC12575290030CF0D
Sobre Marie-Ange Guilleminot
http://www.ma-g.net/blog/
Sobre Hiromi Tsuchida
http://www.boingboing.net/2005/08/06/hiroshima-photograph.html