Parallel Nippon ou um Japão paralelo

Estes últimos dois dias tem sido ricos em pretextos para encontrar pessoas admiráveis mas também muito queridas, com vários interesses em comum, mas com as quais acabo quase sempre me cruzando graças à cultura japonesa.

Ontem, o primeiro desses pretextos foi a abertura da exposição “Parallel Nippon – Arquitetura Contemporânea Japonesa 1996-2006”, no Instituto Tomie Othake. Nas quatro salas dedicadas a  fotografias de vários exemplos de arquitetura japonesa contemporânea, fiquei impressionada com os exemplares de edifícios habitacionais, empresariais e institucionais, divididos entre as temáticas ‘Cidade – o centro e a periferia’, ‘Vida – do nascimento ao funeral’, ‘Cultura – o meio ambiente, a informação e as artes’, e ‘Moradia – adaptação ou afastamento’. Mas a sequência que mais me tocou foi a dedicada à arquitetura de museus, onde me deparei com o exemplo de um museu de folclore e de um ateliê de cerâmica, com as quais me identifiquei mais em função da minha área de pesquisa.

Após uma breve confraternização motivada pelo encontro entre pessoas queridas, acompanhada de champagne e delícias gastronômicas cujo nome desconheço (o rolinho de pato com molho de pitanga é o único que lembro, não por acaso), alguns me acompanharam até casa, não antes de um pulinho na padaria para preencher algum espaço que pudesse ter sido provisioriamente disfarçado perante as iguarias anteriores.

Nos esperando em casa estavam mais indivíduos queridos e esfomeados, não apenas por comida, mas também por uma conversa à qual denominamos de ‘estudo’, pela sua  repetição amiudada e metódica. O ‘aprendizado’ estendeu-se até depois da meia-noite, abrindo um espaço no terreno já fértil para o surgimento de idéias e projetos vários, a concretizar até Fevereiro do próximo ano. Foi uma ótima aspiração para o Ano Novo!

E depois do brinde com champagne e shochu, uma bela noite de sono foi a passagem perfeita para mais um dia rico em encontros, programados ou casuais, com um tom de despedida, ainda que temporária.

Depois da minha última aula sobre a família no Japão contemporâneo, uma cerveja gelada acompanhando desabafos entusiastas (ainda que levemente monotemáticos) acabaram desaguando num agradável entrecruzar de conversas informais. O pretexto para o encontro era num outro destino, para onde acabámos carregando essa leveza e arrebatamento inspirados por experiências e interesses em comum.

Entre sucos inesperados e copos de vinho branco, fomos apreciando a reunião de personagens admiráveis, uns nossos conhecidos, outros nem tanto. O motivo da reunião de tantas personalidades de destaque foi o lançamento do livro “Cecília Hirata – Vida e família de uma mulher cosmopolita” de Yumi Garcia dos Santos.

Depois dos encontros e seus pretextos, que proporcionaram o fluir de trocas e energias positivas, voltar para casa revelou-se um processo quase doloroso. Mas a memória serve nada mais do que para reproduzir sensações neste caso aprazíveis, e escrever sobre elas possibilita sua continuação.

PARALLEL NIPPON
Arquitetura Contemporânea Japonesa 1996-2006
Onde: Instituto Tomie Othake
Quando: 8 de dezembro a 30 de Janeiro.

Livro “”Cecília Hirata – Vida e família de uma mulher cosmopolita”
Autora: Yumi Garcia dos Santos
Editora: Terceiro Nome
Onde: numa livraria perto de você.