Este sábado na Japonique!

A Japonique, loja muito querida pela autora deste blog, começou na semana passada a celebrar a tão desejada chegada do Verão! O projeto Viva!Natsu promete acontecer todas as tardes de sábado durante o mês de novembro. E em cada uma delas haverão atividade diversas, assim como comidinhas e bebidas variadas.

Este sábado, dia 26, promete até uma conexão com Portugal, através da presença do DJ português Tiago Andrade, para além da presença dos ilustradores brasileiros do quadrinho “EP”, lançado na semana passada no Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte.

No cardápio, robatas (tipo de espetinho japonês) para todos os gostos (carne, frango ou vegan) e um incrível drink de sakê com chá de hibisco, tudo preparado pela chef Mitsu Shimosakai!

Mais informações no site da Japonique!

Serviço:

Viva!Natsu @ Japonique, das 14h às 18h
Rua Girassol, 175
 

O Japão na Serra da Mantiqueira

Localizada a 1.626 metros de altitude e com uma temperatura média anual de 13º C, a cidade de Campos de Jordão tornou-se local de destino de imigrantes japoneses essencialmente a partir da década de 30. Lá eles buscavam, entre muitas outras coisas, o ar puro da montanha como alívio para doenças respiratórias como a tuberculose.

Mas esse não foi o caso de Masuda-san. Destacado para trabalhar como diretor da representante da empresa japonesa Kikoma em São Paulo no final dos anos 90, após 5 anos Masuda-san recusou regressar à sua cidade natal. Com esposa e filhos morando em Tóquio, Masuda-san demitiu-se e mudou-se para Campos do Jordão, onde abriu o restaurante Niji, hoje com 8 anos de casa.

Atencioso e carismático, Masuda-san caprichou no sakê quente e atiçou o fogo da lareira que preenche o amplo salão do segundo andar da avenida Macedo Soares, no centro de Capivari. Não sendo especialista em gastronomia, arrisco-me a afirmar que o tempura de camarão e legumes de Masuda-san foi o melhor que já comi. Um só pedaço crocante, caprichado tanto no tamanho quanto no recheio (serve perfeitamente duas pessoas como entrada), mas com a medida certa do interstício de que nos fala Roland Barthes.

Diz-se que a tempura é uma iguaria de origem cristã (portuguesa): é o alimento da quaresma (tempora); mas afinado pelas técnicas japonesas de anulação e de isenção, é o alimento de outro tempo: não o de um rito de jejum e de expiação, mas de uma espécie de meditação, tão espetacular quanto alimentar (já que a tempura é preparada sob os nossos olhos), em torno desse algo que determinamos, na falta de melhor termo (e talvez em função dos nossos limites temáticos), do lado do leve, do aéreo, do instantâneo, do frágil, do transparente, do fresco, do nada, mas cujo verdadeiro nome seria o interstício sem bordas plenas, ou ainda: o signo vazio. (Roland Barthes em O Império dos Signos).

E para escolha do prato principal tivemos também em conta o frio. Decidimo-nos por um prato que fosse feito diante de nós, aproveitando o calor da cozedura para aquecer nossos corpos e nossas mentes famintas de delícias gastronômicas. Os alimentos foram trazidos crus, numa panela de barro com caldo de missô, que foi colocada sob um suporte, onde Calcífer consumia rapidamente o combustível. À parte, dois ovos também crus, para misturar no caldo e nos alimentos depois de cozinhados a gosto. Noutras palavras, sukiyaki.

(…) todos esses alimentos crus, primeiramente aliados, compostos como num quadro holandês do qual conservariam o contorno do traço, a firmeza elástica do pincél e o verniz colorido (…), pouco a pouco transportados para a grande caçarola em que são cozidos sob nossos olhos, ali perdem suas cores, suas formas e seu descontínuo, ali amolecem, se desnaturalizam, adquirem aquele tom ruço que é a cor essencial do molho (…) (Idem).

Para finalizar, um mochi (doce de feijão) importado do Japão, apresentado numa bela embalagem à qual não resisti tirar foto.

E o cenário: uma Campos do Jordão à luz fosca do pôr do sol, um terraço iluminado e uma sakura (cerejeira) ainda nos seus verdes anos.

 

eu e Masuda-san.
 Mais informações:
Restaurante Yakissoba Niji
Av. Macedo Soares, 121 – Vila Capivari (sobre loja)
Campos do Jordão – SP
(12) 3663-6554

noo bai e outras conversas

Estou já há três dias em Lisboa mas hoje foi o primeiro em que saí efetivamente de casa para passear pela cidade “menina e moça”.

O passeio começou pela zona das Docas, com a ‘degustação’ de um bifinho (ou deveria dizer bifão?) ao molho Portugália e terminou no incrível ‘noo bai café’, no topo do Miradouro do Adamastor, com belíssima vista para o Tejo.

O percurso por Lisboa  também me levou algumas vezes ao Japão. Passeando pelo Chiado, acabei indo parar na recente aberta Muji, uma loja japonesa de apresentação ‘clean’, talvez até demasiado, e artigos aparentemente pouco especiais.

Durante o passeio pude ainda avistar vários turistas nipônicos, como sempre empunhando os mais recentes modelos de câmeras fotográficos e vários guias de Lisboa em japonês.

No final do percurso, saboreando um chá indiano (chá preto com leite e especiarias) à luz do pôr-do-sol de inverno no Tejo, folheei distraidamente a ‘Time Out’ Lisboa. Reparei então que a crítica gastronômica da edição desta semana debruçava-se sobre o interessantíssimo ‘Kampai’, um restaurante japonês ‘com um menu inspirado pelos Açores’. Infelizmente o texto criticava negativamente o espaço pelo tratamento que era dado aos empregados. Apesar disso, com uma breve pesquisa no Google descobri que o local foi eleito como o melhor japonês de 2010 em Lisboa pelo site ‘Rotas&Destinos’. Independentemente das críticas, despontou-se em mim uma curiosidade em conhecer essa fusão gastronômica nipo-açoriana.

E finalmente, ainda no processo distraído de folhear a referida revista, acabei sendo ‘avisada’ da coleção de Arte Namban em mostra no Museu do Oriente. Dedicada à exposição de ‘obras de pintura, escultura, cerâmica, mobiliário, laca, ornamentos e objetos de culto produzidos após a chegada dos portugueses ao Japão, da última metade do século XVI até à primeira metade do século XVII’, a coleção enquandra ‘o fenômeno namban do ponto de vista da encomenda, dos circuitos existentes, dos mercados a que se destinava e dos agentes que lhe estiveram associados’ (TimeOut Lisboa, nº 168, p. 44). Já está mentalmente agendada a visita para uma ocasião propícia a passeio nas Docas, com parada obrigatória no Museu do Oriente.

Noobai café
Miradouro do Adamastor (Santa Catarina), Lisboa
Terça a Quinta 12h > 21h, Sexta e Sábado 12h > 24h, Domingo 12h > 20h
Contato: 21 346 50 14
http://www.noobaicafe.com/ 

Muji
Rua do Carmo 63-75, Lisboa
http://www.muji.com/ 

Kampai
Calçada Estrela 37, Lisboa
Contato: 213971214 

Encomendas Namban. Os Portugueses no Japão da Idade Moderna
Museu do Oriente – Avenida Brasília, Doca de Alcântara (Norte), Lisboa
Terça a Domingo das 10h às 18h. Sexta das 10h às 22h.
Contato: 213 585 200
http://www.museudooriente.pt