Amadora BD expõe artista nipo-brasileira

Amanhã, sexta-feira, o Festival de Banda Desenhada da Amadora, em Portugal, dará início à sua 22ª edição.

Apesar de ter estado ausente nos últimos quatro anos, frequentei este festival durante toda a minha infância e adolescência, pois meu avô Vasco Granja, o “pai da pantera cor-de-rosa”, foi um dos seus impulsionadores e entusiásticos participantes. Lembro até hoje da edição de 1992, na qual fui vencedora de um concurso de culinária, graças à ajuda da minha avó na elaboração de um sandwich com cerca de um metro de altura! O prêmio era um livro de receitas do Astérix, que conservo e utilizo até os dias de hoje!

A edição deste ano não terá concurso de culinária, nem homenagens a Goscinny-Uderzo (criadores de ‘Astérix’), mas receberá um Concurso de Cosplay e uma Oficina de Origami, além do destaque para a artista nipo-brasileira Yara Kono, mostrando uma tendência portuguesa ao crescente interesse pela cultura nipônica. Para além dos “japonismos”, esta edição do festival irá proporcionar especial destaque ao aniversário de 60 anos dos Peanuts, assim como Oficinas de Cinema de Animação e Música Digital e a exibição de animações, em ciclo comemorativo da Festa Mundial de Animação.

Yara Kono, uma nipo-brasileira em Lisboa

Yara Kono tem um percurso interessante. Nascida em São Paulo em 1972, formou-se em Farmácia-Bioquímica,  área em que atuava antes de sair do país. A mudança de profissão deu-se, segundo Yara, por dois motivos: a ida ao Japão como bolsista na área de design gráfico (curso que estudava à noite) e a mudança para Lisboa em 2001. Porquê Lisboa? “Resumindo… foi por amor”. E por amor lá se encontra até hoje, um amor que é pela cidade também, pelo que pude perceber do olhar sensível nas fotos disponíveis em seu blog.

O terceiro motivo decisivo para se tornar ilustradora foi a participação, desde 2004, no coletivo Planeta Tangerina, editora especializada na crianção de projetos destinados aos públicos infantis e juvenis.

Quanto ao destaque na 22ª edição da Amadora BD, comenta:

Eu acabo por ser uma carta meio que fora do baralho no Festival. Isso porque trabalho com ilustração infantil. O convite para a exposição surgiu por causa do Prémio Nacional de Ilustração.

Auto-retrato da ilustradora.

Prêmio esse que lhe foi concedido em 2010 com trabalho “O Papão no Desvão” (em colaboração com Ana Saldanha). O livro conta a história de uma menina que tem medo do papão que vive no recanto das escadas. O papão, por sua vez, também tem medo dela e, acometido pela solidão, sonha em ter um amigo.

Outros livros em que podemos apreciar suas ilustrações são: “De Sol a Sonho” (para poemas de Raul Malaquias Marques), “Ovelhinha Dá-me Lã”, “A Manta” e “Como é que uma galinha…” (os três em colaboração com Isabel Minhós Martins).

Este ano Yara Kono estreou-se no mercado brasileiro com o lançamento de “A Manta” pela editora Tordesilhinhas/ Alaúde  Editorial, cujo personagem principal é uma menina que vai mergulhando na história da família através de recordações que desabrocham em cada quadradinho da manta tecida pela avó.

O trabalho da ilustradora poderá ser visto nesta edição do Amadora BD, onde estará em especial destaque.

O gato malabarista, ilustração para o catálogo de gatos "Mish Mish Mish" da Moncho Ediciones
Serviço
Amadora BD
Endereço: Avenida do Brasil 52A, Falagueira – Amadora.
Telefone: (00351) 214 369 057
E-mail: amadorabd@cm-amadora.pt
 
Outros links
http://yarakono.blogspot.com
http://planeta-tangerina.blogspot.com/
 

Bordando Design

“Bordando Design” é o nome da exposição que permanecerá até o dia 29 de Outubro na Galeria Vermelho em São Paulo. Uma parceria entre 15 consagrados designers brasileiros e várias artesãs, mães da ACTC (Assistência à Criança e ao Adolescente Cardíacos e Transplantados do Coração), o projeto promove  o leilão das peças, cujos fundos serão revertidos para a associação.

A ideia do bordado surgiu do projeto da associação denominado “grupo Maria Maria”, que se dedica ao desenvolvimento de habilidades artesanais às mães acompanhantes das crianças e adolescentes com problemas de coração. A exposição tem também como objetivo discutir as fronteiras entre arte e artesanato e valorizar a cultura popular.

O resultado, 15 peças elaboradas por 15 designers, entre os quais os nikkei Jun Sakamoto e Kimi Nii, com contribuições em bordado das artesãs.

peças de Kimi Nii com bordado de várias artesãs
luminária por Jun Sakamoto com bordados por Ana Claudia Bento dos Santos
Serviço

Evento: Leilão “Bordando Design”
Onde: Galeria Vermelho – Rua Minas Gerais, 350
Quando: de 11 a 26/10
Horário: de terça a sexta das 10h às 19h; sábado das 11h às 17h
Informações: (11) 3138-1520 – galeriavermelho.com.br

http://www.actc.org.br/

Totoro em Oficina de Adesivos @Japonique!

Este sábado dia 8 de Outubro a charmosíssima loja Japonique  estará comemorando antecipadamente o Dia das Crianças com várias atividades ligadas à cultura japonesa. Entre campeonatos de hashi e a oficina de temaki, será realizada a Oficina Criativa de Adesivos e Colagens, com Liliana Morais, esta pessoa que vos escreve.

Ãh? Rebobinando…

Comecinho de 2011. Tinha acabado de voltar de Portugal e começava a longa e dolorosa tarefa de empacotar todo apartamento em mudança para casa. No “quarto das tralhas” existia uma prateleira tão alta e sombria que nunca antes me atrevera a espreitar. Ao retirar um objeto misterioso atrás do outro, finalmente vislumbrei um indício de cor. Algo entre o azul céu e o azul bebé. Um rolo. Ao examiná-lo me apercebi que se tratava de papel plástico adesivo, o mesmo que alguém usara para forrar a escrivaninha do escritório. Reservei.

Me mudei. Breve reforma feita, mas algumas pinturas por fazer. Comprara uma tinta para interiores de um vermelho goiaba. Casa vazia, caixas por arrumar. Um vermelho aqui para animar, um vermelho ali para alegrar. Faltava algo. Detalhes. Desfiz uma caixa. O papel adesivo de cor entre o azul-céu e o azul-bebê surgiu de repente como que me desafiando. Eu que sempre me considerei uma pessoa sem qualquer habilidade manual, sem ideias criativas… Aha! Felizmente o papel vinha com o contorno de alguns motivos no verso: corações, cerejas, coelhos, maçãs, gotas, estrelas e por aí. Recortei um coelhinho e um par de cerejas. Minha habilidade com a tesoura até que me impressionou. Olhei para a lareira cor de goiaba. Pensei: aqui até que cairiam bem uns bichinhos! Mas no verso do papel adesivo de bichos só tinha coelho. Peguei umas imagens na internet e desenhei. Eis o resultado:

Da decoração da lareira fui colorindo a casa inteira. Expandi a palete de cores, diversifiquei as composições. Postei fotos no flickr e batizei o trabalho de i’m blueing. Criei um catálogo, vendi para uns amigos e mostrei para outros. Um dia a Jana, querida amiga e dona da Japonique, viu. E é lá que terá oficina no sábado.

Dia das Crianças na Japonique

Com direito a muitos Totoro!!!

i’m blueing no flickr

 
Oficina Criativa de Adesivos e Colagens para Crianças
Sábado, 8 de Outubro
Duas turmas: 14h e 16h
 
Mais informações:
Japonique
Rua Girassol, 175 Vila Madalena, São Paulo
Tel. 11 3034 0253
 

 

Shoko Suzuki: mestre ceramista e artista

Shoko Suzuki poderia se passar por mais uma ba-chan (vovó japonesa) aos olhos de qualquer leigo que a cruzasse por aí. De modos simples, vestimentas modestas, cabelos brancos, bengala e sotaque japonês, Shoko é nada mais nada menos que a veterana da cerâmica japonesa no Brasil. Para além de Mestre Artesã, Shoko é hoje uma das artistas em cerâmica de maior renome, com exposição individual no Museu de Arte de São Paulo (MASP, 1975) e participação em exposições coletivas por todo o país, além de no Japão e na Alemanha.

http://www.acasa.org.br

Nascida em Tokyo no ano 1929, Shoko vivenciou a guerra e o preconceito de ser uma mulher fazendo cerâmica no Japão. Num país onde os mestres em cerâmica são homens, delegando à mulher um papel secundário de mera ajudante, Shoko conseguiu fazer seu trabalho artistico apesar dos preceitos rígidos da tradição.

No início da década de 60, ao ver um documentário sobre Brasília na televisão japonesa, soube que era no Brasil o seu lugar e aqui se estabeleceu em 1962, junto com seu marido, o também renomado pintor Yukio Suzuki.

Em 1966 estabeleceu seu ateliê em Cotia, num terreno com inclinação perfeita para a construção de um forno Noborigama*, de acordo com o projeto que um amigo lhe dera antes de embarcar para o Brasil. Munida de um torno manual, argila que recolhia do próprio terreno e esmaltes que fabricava a partir das folhas das árvores, Shoko iniciou uma carreira em cerâmica que, mal sabia ela, teria fortes repercussões no desenvolvimento dessa arte no Brasil.

Shoko Suzuki e Noborigama em seu ateliê na Granja Viana

Suas peças apresentam formas femininas e naturais, apesar da aparência rústica e rugosidade ao toque, característica essencial na cerâmica utilizada na cerimônia do chá. Mas Shoko vai muito além dos utilitários. Suas esculturas em cerâmica, de formas esféricas, cilíndricas e ovóides, são plenas obras de arte contemporânea. Nelas transparece a alma e a essência da artista.

Escultura Aldeia http://www.acasa.org.br
Vaso Cosmos http://www.acasa.org.br

Noborigama é um tipo de forno a lenha tradicional japonês, de origem chinesa, utilizado no Japão desde o século XVII. Construído num declive aproveitando a inclinação do terreno, contém várias câmeras interligas entre si, cada uma num determinado nível. A duração de uma queima em noborigama pode ser de até 35 horas. Por esse motivo é geralmente considerado um trabalho masculino.

Mais sobre Shoko Suzuki:

Site da Granja: A Cerâmica de Shoko Suzuki

Site da Granja: História

Eu em conversa com Shoko Suzuki (02.10.2011)