A azulejaria portuguesa no design nipo-brasileiro

Sábado passado tive a feliz oportunidade de encontrar a designer Rachel Hoshino no evento em prol da recuperação do Japão aqui anunciado, que tomou lugar na incrível loja Japonique (vide post anterior).

Quando pesquisei sobre o trabalho da designer pelos meandros da web, fiquei com a pulga atrás da orelha. Explico: no site, uma coleção intitulada ‘Lisboa’, inspirada nos motivos do azulejo português; em blogs, referia-se sua descendência japonesa e européia. Me perguntava: seria Rachel Hoshino descendente de portugueses? Poderia ela concretizar essa conexão que tenho procurado mostrar entre Portugal, Brasil e Japão, através do design?

Rachel Hoshino admite, sim, ter forte influência de Portugal  nas suas criações. Por um lado, e como bem suspeitava, Rachel tem uma pitada de Portugal no sangue. Sua avó materna era filha de portugueses. Foi através dela que Rachel começou a se interessar por cerâmica e azulejos, já que na casa da avó tinha uma grande coleção de porcelanas e painéis de azulejos coloniais.

Azulejo colonial português.

Mas  a conexão com Portugal não é apenas genética. Ela tem também um caráter bem prático. Isto porque o principal parceiro da designer, a Porcelana Teixeira,  também é de família portuguesa. Ademais, o atual dono da empresa é originário da cidade de Aveiro, no litoral centro-norte de Portugal, e teve sua formação na famosíssima Vista Alegre, onde trabalhou toda sua família desde os tempos da monarquia. Praticamente uma linhagem de fabricantes de porcelana! Para quem não sabe, a Vista Alegre é a principal fabricante de porcelana em Portugal, fundada no século XIX!

Porcelana estilo clássico da Vista Alegre.

A influência portuguesa da designer não termina aqui. Inspirada por todas estas coincidências, Rachel viajou para Portugal em 2007 para fazer pesquisa. Adotei Portugal como país do coração, afirma. As estações de metro de Lisboa, as construções do Porto, os solares  do Norte, a feira livre de Barcelos, são marcos na minha vida.

Mas o que mais marcou Rachel em toda a visita foi o Museu das Janelas Verdes (ou Museu Nacional de Arte Antiga) em Lisboa. Ali ela visitou a sessão sobre a ocupação portuguesa no Oriente e se impressionou com os objetos que nasceram do hibridismo das diferentes culturas. Com certeza, mais um elemento inspirador nas criações da designer.

As peças de Rachel Hoshino misturam motivos portugueses, temáticas japonesas e influências brasileiras, como podemos ver no título e descrição de suas coleções.

Coleção Lisboa

Desenhos inspirados na azulejaria portuguesa e estampas lisérgicas dos anos 60 decoram peças e utilitárias, como vasos, cofres e pratos.

 

Coleção Tampopo

Dente-de-leão em japonês. O equilíbrio entre os princípios de leveza e rigidez estrutural, e de geometria perfeita e aleatoridade faz desta flor um objeto de culto entre os japoneses. Explorando estes conceitos, a coleção reproduz a natureza: Tampopo se espalha ao vento e pousa sobre as peças.


Coleção Brasileirinho

O verde e o amarelo se combinam ao tico-tico do fubá para comemorar, com ritmo e leveza, nossa brasilidade.

(fotos e textos das coleções retirados do site da designer: http://www.hoshino.com.br/index_en.htm )


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